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<title>cumplicidades</title>
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<copyright>Copyright (c) 2005, Maria Branco</copyright>
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<title>Sonho...</title>
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<summary type="text/plain">Entra e tira o teu agasalho. Está tanto frio... Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava. Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto. Já não distingo o corpo da alma,...</summary>
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<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Entra e tira o teu agasalho. </p>

<p>Está tanto frio...<br />
Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava.<br />
Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto.<br />
Já não distingo o corpo da alma, tal é o estado de algidez em que me encontro.</p>

<p>Os troncos que pus na lareira riem-se de mim e recusam-se a arder.<br />
Só o teu abraço me providenciará algum alívio.<br />
Senta-te aqui e recebe-me no teu colo...<br />
Envolve-me com os teus braços e o teu olhar.<br />
Aqueles, aquecer-me-ão o corpo e este o coração.</p>

<p>Deixa-me adormecer assim no teu regaço para que sonhe o que aqui te conto.</p>

<p>Maria</p>

<p><img src="http://www.photo.net/photo/pcd0511/stockholm-skansen-fireplace-51.4.jpg" width=300 ></p>

<p>Quando vir vaguear o corpo da noite<br />
dançante, por entre os cascos da bruma,<br />
virei até à janela que se despenha<br />
no jardim das palavras.<br />
 <br />
Pedirei à sombra que me conceda ainda o verso<br />
o verso sujo, lâmina ou centelha<br />
ateando a manhã, entre o café<br />
e este lume do silêncio,<br />
a arder pela flor da giesta.<br />
 <br />
Não mais cantar senão o ar<br />
ou as mãos que poisam, tão quietas<br />
detentoras de incerteza, apenas.<br />
Ficar assim, no olhar destas vidraças<br />
onde julgo ver a vida que sonho ser.</p>

<p>Maria João cantinho </p>

<p><br />
Sobre a autora:<br />
<em><p class="MsoNormal" align="justify">Maria João Cantinho nasceu em 1963, em Lisboa. Viveu em Angola até à adolescência e regressou a Portugal, após a independência de Angola. Licenciou-se e realizou a dissertação de mestrado em filosofia, na área de estética. É professora no ensino secundário. Colaborou na revista Livros, na revistas on-line Crítica - Central de Cultura e é membro do conselho editorial da Storm Magazine no jornal de poesia Hablar/Falar de Poesia, pela parte da Casa Fernando Pessoa. No ano de 2001 publicou o livro de contos A Garça. Em 2002, publicou o livro de poesia Abrirás a Noite com um Sulco, ao qual foi atribuída uma menção honrosa no prémio da Associação Fernando Pessoa. Tem publicações diversas, no âmbito de prémios literários e menções honrosas, nas modalidades de conto e poesia.</p></p>]]>

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<title>Soror Mariana Alcoforado</title>
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<modified>2005-01-26T00:29:53Z</modified>
<issued>2005-01-26T00:06:10Z</issued>
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<summary type="text/plain"> de Henri Matisse Ignoro por que motivo te escrevo... Vejo que apenas terás dó de mim, e eu rejeito a tua compaixão, e nada quero dela; Enfado-me contra mim mesma, quando faço reflexão sobre tudo o que te sacrifiquei......</summary>
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<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<p><img src="http://catedral.home.sapo.pt/cumplicidades/mariana-alcoforado.jpg"><br> de Henri Matisse<br><br />
<em><p class="MsoNormal" align="justify">Ignoro por que motivo te escrevo...<br />
Vejo que apenas terás dó de mim, e eu rejeito a tua compaixão, e nada quero dela;<br />
Enfado-me contra mim mesma, quando faço reflexão sobre tudo o que te sacrifiquei...<br />
Perdi a minha reputação; expus-me aos furores de meus pais e parentes, às severas leis deste Reino contra as religiosas... <br />
e à tua ingratidão, que me parece a maior de todas as desgraças...<br />
Ainda assim eu sinto que os meus remorsos não são verdadeiros, e que do íntimo do meu coração quisera ter corrido muito maiores perigos por Amor de ti, e provo um funesto prazer de ter arriscado por ti vida e honra.<br />
Tudo o que me é mais precioso não devia eu entregá-lo à tua disposição?...<br />
E não devo eu ter muita satisfação de o ter empregado como fiz?...<br />
Parece-me até não estar contente, nem dás minhas mágoas, nem do excesso de meu Amor, ainda que, ai de mim! não possa, mal pecado, lisonjear-me de estar contente de ti...<br />
Vivo, e como desleal, faço tanto por conservar a vida, quanto perdê-la!...<br />
Morro de vergonha... acaso a minha desesperação existe somente nas minhas ?...<br />
Se eu te amasse com aquele extremo que milhares de vezes te disse, não teria eu já de longo tempo cessado de viver?...<br />
Enganei-te... tens toda a razão de queixar-te de mim... Ah ! por que não te queixas?...<br />
Vi-te partir; nenhumas esperanças posso ter de mais ver-te. e ainda respiro!... É uma traição...<br />
Peço-te dela perdão.<br />
Mas não mo concedas...<br />
Trata-me rigorosamente.<br />
Não julgues os meus sentimentos veementes...<br />
Sê mais difícil de contentar...<br />
Ordena-me nas tuas cartas que morra de Amor por ti...<br />
Oh! conjuro-te de me dares esse auxílio para poder vencer a fraqueza do meu sexo, e pôr termo às minhas irresoluções, por um golpe de verdadeira desesperação.<br />
Um fim trágico obrigar-te-ia, sem dúvida, a pensar muitas vezes em mim...<br />
A minha memória te seria cara, e quiçá esta morte extraordinária te causaria uma sensível comoção.<br />
E a morte não é porventura preferível ao estado a que me abaixaste?...<br />
Adeus!<br />
Muito quisera nunca haver posto os olhos em ti.<br />
Ah! sinto vivamente a falsidade deste sentimento, e conheço neste mesmo instante em que te escrevo, quanto prefiro e prezo mais ser infeliz amando-te, do que não te haver jamais visto.<br />
Cedo sem murmurar à minha malfadada sorte, já que tu não quiseste torná-la melhor. Adeus.<br />
Promete-me de conservar uma terna e maviosa saudade de mim, se eu falecer de dor; e assim possa ao menos a violência da minha paixão, inspirar-te desgosto e afastar-te de tudo!<br />
Esta consolação me será suficiente, e, se é força que te abandone para sempre, desejara muito não deixar-te a outra.<br />
Dize, não seria nímia crueldade a tua, se te servisses da minha desesperação para, pareceres mais amável, mostrando que acendeste a maior paixão que houve no mundo?<br />
Adeus outra vez...<br />
Escrevo-te cartas excessivamente longas, o que é uma falta de consideração para ti: peço-te mil perdões, e atrevo-me a esperar que terás alguma indulgência para com uma pobre insensata, que o não era, como tu bem sabes, antes de amar-te.<br />
Adeus.<br />
Parece-me que demasiadas vezes me dilato em falar do estado insuportável em que estou.<br />
Contudo agradeço-te, do íntimo do meu coração, a desesperação que me causas, e aborreço o sossego em que vivi antes de conhecer-te...<br />
Adeus.<br />
A minha paixão cresce a cada momento.<br />
Ah! quantas cousas tinha ainda para dizer-te!...</em></p>

<p class="MsoNormal" align="justify">Mariana Alcoforado nasceu em Beja em 1640, com onze anos, é obrigada a entrar para um convento, a fim de ficar a salvo do brutal conflito provocado pela guerra com Espanha. 
Impotente face à irrevogável decisão do pai, Mariana submete-se, mas anseia pelo dia em que poderá regressar ao seio da família e à liberdade da vida real.
Até que um regimento francês chega à cidade: o belo rosto de um oficial a cavalo, uma fortuita troca de olhares e, por fim, o encontro. Mariana, já quase com vinte anos, deixa-se dominar por uma paixão cega e inflamada. Introduzindo-se secretamente na sua cela durante várias noites seguidas, o Capitão Bouton dá-lhe a conhecer o amor físico, proporcionando-lhe o primeiro grande êxtase da sua vida. Mas a notícia dessa relação rapidamente se difunde e causa escândalo. Bouton é mandado regressar a França. Destruída, Mariana escreve-lhe, sem resposta, cartas extraordinariamente belas e apaixonadas. faleceu na Cidade de Beja em 1723.

<p><br />
</p>]]>

</content>
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<title>...</title>
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<modified>2005-01-24T18:29:10Z</modified>
<issued>2005-01-24T17:38:03Z</issued>
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<summary type="text/plain">Hoje sou a chuva que te acaricia O sol que te aquece a alma, Hoje sou a brisa que te afaga a pele. Sou a noite que te solta o sonho E o dia que te alimenta a esperança. O...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

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<![CDATA[<center>Hoje sou a chuva que te acaricia<br>
O sol que te aquece a alma,<br>
Hoje sou a brisa que te afaga a pele.<br>
Sou a noite que te solta o sonho<br>
E o dia que te alimenta a esperança.<br>
O sorriso de todo o bem que sabe,<br>
A gargalhada do prazer satisfeito.<br>
Mas também sou a melancolia da carência de ti<br>
O soluço da tua ausência<br>
E a lágrima do teu desespero .<br>
<br>
Sou aquela que te ama...
<br>
<br>
Maria</center>
<br>
<center><img src="http://timmerca.com/data/1000/articles/1763/2377-original.jpg" width=400></center>
<br>
<center>Começa a entardecer. Amor, é tarde...<br>
- Descansa no meu peito a tua fonte,<br>
e vê o Sol baixando no horizonte,<br>
em chamas de ouro, como brilha e arde.<br></center>
<br>
<center>Agora, resignados, sem alarde,<br>
vamos descendo a encosta deste monte.<br>
- Já não tenho mais versos que te conte,<br>
e nem um verso eterno em que te guarde!...</center>
<br>
<center>Calam-se os passarinhos no arvoredo.<br>
- É a noite que vem. Não tenhas medo.<br>
Acabaram-se os cantos festivais.</center>
<br>
<center>Silêncio. Solidão. Ninguém se afoite...<br>
Anoitecer que importa, se é de noite<br>
que os beijos de quem ama sabem mais.</center>
<br>
<center>Espinola de Mendonça</center>

<p><br />
Sobre o Autor:<br />
Francisco Espinola de Mendonça nasceu em Ponta Delgada em 1891 e faleceu na mesma cidade em 1944. De 1910 a 1915 frequentou o curso superior de letras, formando-se em Filologia Românica. Publicou em 1910 Rosiclares, em 1931 Canções do lar e outros Poemas, 1937 Sicómoro,  e a recolha póstuma de gerânios em 1945.</p>

<p><br />
</p>]]>

</content>
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<title>Sol  de ti.. [em mim]</title>
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<modified>2005-01-23T00:27:50Z</modified>
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<summary type="text/plain">Deixa que os meus olhos se fechem E confiem um minuto nos teus... Olha por mim, proteje o meu sonho Vigia o meu descanso e afasta-me de todas as mágoas Com os teus beijos apaga as lágrimas que correm pelo...</summary>
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<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<p><em>Deixa que os meus olhos se fechem <br />
E confiem um minuto nos teus... </em></p>

<p>Olha por mim, proteje o meu sonho <br />
Vigia o meu descanso e afasta-me de todas as mágoas <br />
Com os teus beijos apaga as lágrimas que correm pelo<br />
meu rosto<br />
Envolve-me nos teus braços e, <br />
cuida de mim <br />
Preciso do teu apoio, do teu abraço, <br />
do teu sentido <br />
Deixa-me descansar e, <br />
Adormecer no teu peito</p>

<p><em>Deixa que os meus olhos durmam<br />
nos teus...</em></p>

<p>Deixa-me sonhar<br />
Deixa que sonhe com a tua boca <br />
Com as tuas mãos, com os teu beijos, <br />
Com teu corpo na minha pele<br />
Com o teu calor a queimar-me por dentro <br />
Com tudo o que quero de ti </p>

<p><em>Deixa que os meus olhos despertem<br />
com o sol a romper nos teus olhos...</em></p>

<p>Maria<br />
 <br />
<img src="http://riscos.blogs.sapo.pt/arquivo/antecipacao.gif" width=300><br> Antecipação de <a href="http://riscos.blogs.sapo.pt/">TCA</a></p>

<p>Tu choravas e eu ia apagando<br />
com os meus beijos os rastos das tuas lágrimas<br />
&#8211; riscos na areia mole e quente do teu rosto.<br />
Choravas como quem se procura.<br />
E eu descobria mundos, inventava nomes,<br />
enquanto ia espremendo com as mãos<br />
o meu sangue todo no teu sangue.</p>

<p>Não sei se o mundo existia e nós existíamos realmente.<br />
Sei que tudo estava suspenso,<br />
esperando não sei que grave acontecimento,<br />
e que milhares de insectos paravam e zumbiam nos <br />
meus sentidos.<br />
Só a minha boca era uma abelha inquieta<br />
percorrendo e picando o teu corpo de beijos.</p>

<p>Depois só dei pela manhã,<br />
a manhã atrevida<br />
entrando devagar, muito devagar e acordando-me.<br />
Desviei os meus olhos para ti :<br />
ao longo do teu corpo morriam as estrelas.<br />
A noite partira. E, lentamente,<br />
o sol rompeu no céu da tua boca.</p>

<p>Albano Martins</p>

<p><em>Sobre o Autor:<br />
Albano Martins nasceu em 1930 na aldeia do Telhado (Fundão). Licenciado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspecção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.</em></p>

<p><br />
</p>]]>

</content>
</entry>
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<title>Partilhas Cúmplices ...( Em viagem)</title>
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<modified>2005-01-21T19:11:58Z</modified>
<issued>2005-01-21T17:53:57Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Cúmplice idade, cidade que me trouxe em ti aldeia. Partilha de sempre, nascida hoje. Em teu país viajo transportando-me na tua boca Terras que visito com nomes que se escrevem com as palavras amor, esperança&amp;#8230; ... sempre em frente,...</summary>
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<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p><img src ="http://www.phoenix5.org/essaysry/graphics/thekiss.jpg"Align ="left"><p class="MsoNormal" align="justify"><br />
<strong>Cúmplice</strong> idade, cidade que me trouxe em ti aldeia.</p>

<p>Partilha de sempre, nascida hoje.</p>

<p>Em teu país viajo transportando-me na tua boca</p>

<p><strong>Terras</strong> que visito com nomes que se escrevem<br> com as palavras <strong>amor</strong>, <strong>esperança</strong>&#8230;<br />
... sempre em frente, louca viagem.</p>

<p><strong>Voragem do estarmos</strong>, assim!<br />
<br><br />
Dedicado pelo <a href="http://sempreemfrenteamor.blogspot.com/">Anjo Élico</a><br><br>(The Kiss de Gustav Klimt)<br /><br />
<br></p>

<p><strong>Viagem</strong></p>

<p>Aparelhei o barco da ilusão<br />
E reforcei a fé de marinheiro.<br />
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro<br />
O mar...<br />
(Só nos é concedida<br />
Esta vida<br />
Que temos;<br />
E é nela que é preciso<br />
Procurar<br />
O velho paraíso<br />
Que perdemos).</p>

<p>Prestes, larguei a vela<br />
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.<br />
Desmedida,<br />
A revolta imensidão<br />
Transforma dia a dia a embarcação<br />
Numa errante e alada sepultura...<br />
Mas corto as ondas sem desanimar.<br />
Em qualquer aventura,<br />
O que importa é partir, não é chegar."</p>

<p>Miguel Torga - 1962</p>

<p></p>

<p><br />
</p>]]>

</content>
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<title>Bernardo Soares</title>
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<modified>2005-01-20T21:36:52Z</modified>
<issued>2005-01-20T19:54:36Z</issued>
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<summary type="text/plain">Lisboa, Praça dos Restauradores - 1960 Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<center><img src="http://www.avwc.org/fotos/COSESAMICS/MARCOSPOSTALS/lisboa.jpg" width="400"><br>Lisboa, Praça dos Restauradores - 1960</center>

<p><br />
<p class="MsoNormal" align="justify">Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade...</p></p>

<p><strong>Porque eu sou do tamanho do que vejo<br />
E não do tamanho da minha altura.</strong></p>

<p class="MsoNormal" align="justify">Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.</p>

<p class="MsoNormal" align="justify"><em>"<strong>Sou do tamanho do que vejo</strong>!"</em>Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "<em>Sou do tamanho do que vejo</em>!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.</p>

<p class="MsoNormal" align="justify">E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. <em>"<strong>Sou do tamanho do que vejo</strong>!" </em>E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.</p>

<p class="MsoNormal" align="justify">Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da matéria vazia.</p>

<p class="MsoNormal" align="justify">Mas recolho-me e abrando-me. "<em><strong>Sou do tamanho do que vejo</strong>!" </em>E a frase fica sendo-me a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.</p>

<p>"O Livro do Desassossego"<br />
</p>]]>

</content>
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<title>Canto [te]</title>
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<modified>2005-01-19T20:24:22Z</modified>
<issued>2005-01-19T19:55:23Z</issued>
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<created>2005-01-19T19:55:23Z</created>
<summary type="text/plain">Quero cantar-te todos os pássaros do céu e todas as borboletas do canteiro Onde brotam as flores que cultivamos juntos. Quero cantar-te todas as ondas do mar e todas as dunas que cresceram sobre nós Quando dormimos na praia nus...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p>Quero cantar-te todos os pássaros do céu <br />
e todas as borboletas do canteiro<br />
Onde brotam as flores que cultivamos juntos.<br />
Quero cantar-te todas as ondas do mar <br />
e todas as dunas que cresceram sobre nós<br />
Quando dormimos na praia nus e saciados.<br />
Quero cantar-te sem palavras supérfluas <br />
todas as odes ao amor de todos os poetas<br />
Que por ele morreram.<br />
E ao adormeceres ao som do meu canto <br />
que o teu sonho se não distinga <br />
da minha realidade futura.</p>

<p>Maria</p>

<p><img src="http://www.herringerkissgallery.com/photogallery/jeverett/Evensong%20III%20(2).jpg"></p>

<p>Canto-te para que tu definitivamente existas<br />
Canto o teu nome porque só as coisas cantadas<br />
realmente são e só o nome pronunciado inicia<br />
a mágica corrente<br />
Canto o teu nome como o homem fazia eclodir<br />
o fogo do atrito das pedras<br />
Canto o teu nome como o feiticeiro invoca<br />
a magia do remédio<br />
Canto o teu nome como um animal uiva<br />
de<br />
Como os animais pequenos bebem nos regatos depois<br />
das grandes feras<br />
Canto-te<br />
e tu definitivamente existes nos meus olhos<br />
Sempre abertos porque é sempre os meus olhos<br />
são os olhos da criança que nós somos sempre<br />
diante da imensidão do teu espaço</p>

<p>Canto-te<br />
e os meus olhos sempre abertos são a pergunta<br />
instante pendente de eu te interrogar<br />
e interrogo as coisas em seu ser noctumo<br />
em seu estar sombriamente presentes na tua claridade<br />
obscura<br />
E como é sempre<br />
meus olhos abertos prescrutam-te<br />
símbolo de tudo o que me foge<br />
como apertar o ar dentro das mãos<br />
e querer agarrar-te<br />
oh substância <br />
Canto-te<br />
Para que tu existas<br />
E eu não veja mais nada além de ti</p>

<p>Ana Hatherly</p>

<p><br />
</p>]]>

</content>
</entry>
<entry>
<title>Afrodite...</title>
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<modified>2005-01-18T14:44:56Z</modified>
<issued>2005-01-18T14:29:47Z</issued>
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<summary type="text/plain">Vê-me subir no horizonte, nua, esculpindo a minha forma no anil do céu Sou como uma virgem emergindo das águas E vogando pelo azul claro lembro uma etérea Afrodite feita de espuma. Vê ondular o meu torso de contorno incerto...</summary>
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<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p>Vê-me subir no horizonte, nua, esculpindo a minha forma no anil do céu<br />
Sou como uma virgem emergindo das águas <br />
E vogando pelo azul claro lembro uma etérea Afrodite feita de espuma.<br />
Vê ondular o meu torso de contorno incerto <br />
Onde a aurora cobre de rosas o meu ombro acetinado.<br />
Os tons brancos de mármore e de neve de minha pele fundem-se amorosamente<br />
Como se de uma pintura em claro-escuro se tratasse.<br />
Pairo na luz da manhã, aqui no alto, reflectindo a beleza original, <br />
Voa até mim e beija-me sem tempo marcado.<br />
Abre a tua alma ao Ideal e dá todo este céu ao teu coração.<br />
Que ames uma nua, que ames uma mulher!<br />
O importante é amar&#8230;</p>

<p>Maria<br />
(publicado no extinto (re)Criando)</p>

<p><img src="http://www.betterwomenshealth.com/members/626200/uploaded/OceanWoman.jpg"></p>

<p>Formosa.<br />
Esses peitos pequenos, cheios.<br />
Esse ventre, o seu redondo espraiado!<br />
O vinco da cinta, o gracioso umbigo, o escorrido<br />
das ancas, o púbis discreto ligeiramente alteado,<br />
as coxas esbeltas, um joelho único suave e agudo,<br />
o coto de um braço, o tronco robusto, a linha<br />
cariciosa do ombro...<br />
Afrodite, não chorei quando te descobri?<br />
Aquele museu plácido, tantas memórias da Grécia<br />
e de Roma!<br />
Tantas figuras graves, de gestos nobres e de<br />
frontes tranquilas, abstractas...<br />
Mas aquela sala vasta, cheia, não era uma necrópole.<br />
Era uma assembleia de amáveis espíritos, divagadores,<br />
ente si trocando serenas, eternas e nunca<br />
desprezadas razões formais.<br />
Afrodite, Afrodite, tão humana e sem tempo...<br />
O descanso desse teu gesto!<br />
A perna que encobre a outra, que aperta o corpo.<br />
A doce oferta desse pomo tentador: peito e ventre.<br />
E um fumo, uma impressão tão subtil e tão<br />
provocante de pudor, de volúpia, de<br />
reserva, de abandono...<br />
Já passaram sobre ti dois mil anos?<br />
Estranha obra de um homem!<br />
Que doçura espalhas e que grandeza...<br />
És o equilíbrio e a harmonia e não és senão corpo.<br />
Não és mística, não exacerbas, não angústias.<br />
Geras o sonho do amor.<br />
Praxíteles.<br />
Como pudeste criar Afrodite?<br />
E não a macerar, delapidar, arruinar, na ânsia de<br />
a vencer, gozar!<br />
Tinha de assim ser.<br />
Eternizaste-a!<br />
A beleza, o desejo, a promessa, a doce carne...</p>

<p>Irene Lisboa<br />
</p>]]>

</content>
</entry>
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<title>África no corpo e na alma...</title>
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<modified>2005-01-16T21:14:08Z</modified>
<issued>2005-01-16T19:19:38Z</issued>
<id>tag:cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt,2005://279.60514</id>
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<summary type="text/plain">Os teus defeitos são graças desse mistério profundo... Saudade de duas raças que se abraçaram no mundo! Tomaz Vieira da Cruz (Angola) &quot;Poema para a Negra&quot; Deixa que os outros cantem o teu corpo que dizem feiticeiro e sedutor, e,...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<center>Os teus defeitos são graças<br> 
     desse mistério profundo... <br>
     Saudade de duas raças<br> 
     que se abraçaram no mundo!<br></center>

<p><em><center>Tomaz Vieira da Cruz (Angola) </em></center><br></p>

<center><img src="http://www.obaahemaa.com/Channels/issues/images/strong.jpg"></center>

<p>                    <center><strong>"Poema para a Negra" </strong><br />
  <br />
     Deixa que os outros cantem o teu corpo <br />
     que dizem feiticeiro e sedutor, <br />
     e, na volupia vã do pitoresco, <br />
     entoem madrigais á tua dor.</center> </p>

<p>     <center>Deixa que os outros cantem teus requebros <br />
     nos passos de massemba e quilapanga, <br />
     e teus olhos onde há noites de luar, <br />
     e teus beiços que teem sabor de manga. </center></p>

<p>     <center>Deixa que os outros cantem os teus usos <br />
     como aspectos formais da tua graça, <br />
     nessa conquista facil do exotismo <br />
     que dizem descobrir na nossa raça.</center> </p>

<p>     <center>Deixa que os outros cantem o teu corpo, <br />
     na captaçãoo atonita do viço <br />
     e fiquem sempre, toda a vida, a olhar <br />
     um muro de mistério e de feitiço...</center> </p>

<p>     <center>Deixa que os outros cantem o teu corpo <br />
     - que eu canto do mais fundo do teu ser, <br />
     ó minha amada, eu canto a propria África, <br />
     que se fez carne e alma em ti, mulher!</center><br></p>

<center><strong>"Quando surges na noite..." </strong></center><br>
  
<center>Quando surges na noite, quando avanças<br> 
     porque o som do batuque por ti chama, <br>
     teu corpo negro é chama que me inflama, <br>
     quando surges na noite, quando danças...</center> 

<p>     <center>Quando danças, cantando as esperanças <br />
     e os desesperos todos de quem ama, <br />
     teu corpo negro é fogo que derrama <br />
     febre nas almas que repousam mansas.</center> </p>

<p>     <center>Tu vens dançando (tudo em mim se agita) <br />
     e vens cantando (tudo em mim já grita), <br />
     quando surges em noite de queimada...</center> </p>

<p>     <center>Depois, somos os dois, no mesmo abraço, <br />
     num batuque só nosso, num compasso <br />
     mais febril do que toda a batucada!</center><br></p>

<center><strong>"As raízes do nosso amor" </strong></center><br>
  
<center>Amo-te porque tudo em ti me fala de África,<br> 
     duma forma completa e envolvente. <br>
     Negra, tão negramente bela e moça, <br>
     todo o teu ser me exprime a terra nossa, <br>
     em nós presente. 

<p>     <center>Nos teus olhos eu vejo, como em caleidoscópio, <br />
     madrugadas e noites e poentes tropicais, <br />
     - visão que me inebria como um ópio, <br />
     em magia de místicos duendes, <br />
     e me torna encantado. (Perguntaram-me: onde vais? <br />
     E não sei onde vou, só sei que tu me prendes...)</center> </p>

<p>     <center>A tua voz é, tão perturbadoramente, <br />
     a música dolente dos quissanges tangidos <br />
     em noite escura e calma, <br />
     que vibra nos meus sentidos <br />
     e ressoa no fundo da minh'alma.</center> </p>

<p>     <center>Quando me beijas sinto que provo ao mesmo tempo <br />
     o gosto do caju, da manga e da goiaba, <br />
     - sabor que vai da boca até às vísceras <br />
     e nunca mais acaba... </center></p>

<p>     <center>O teu corpo, formoso sem disfarce, <br />
     com teu andar dengoso, parece que se agita <br />
     tal como se estivesse a requebrar-se <br />
     nos ritmos da massemba e da rebita. <br />
     E sinto que teu corpo, em lírico alvoroço, <br />
     me desperta e me convida <br />
     para um batuque só nosso, <br />
     batuque da nossa vida.</center> </p>

<p>     <center>Assim, onde te encontres (seja onde estiveres, <br />
     por toda a parte onde o teu vulto fôr), <br />
     eu te descubro e elejo entre as mulheres, <br />
     ó minha negra belamente preta, <br />
     ó minha irmã na cor, <br />
     e, de braços abertos para o total amplexo, <br />
     sem sombra de complexo, <br />
     eu grito do mais fundo da minh'alma de poeta: <br />
     - Meu amor! Meu amor!</center><br></p>

<center><em>Geraldo Bessa Victor (Angola</em>)</center> 

<p><a href="http://kotodianguako.blogspot.com/">Cacusso</a> meu amigo, também, para ti...</p>

<p><br />
</p>]]>

</content>
</entry>
<entry>
<title> Apelo para a Humanidade</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/arquivo/2005/01/_apelo_para_a_h.html" />
<modified>2005-01-16T20:23:14Z</modified>
<issued>2005-01-16T13:37:12Z</issued>
<id>tag:cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt,2005://279.60466</id>
<created>2005-01-16T13:37:12Z</created>
<summary type="text/plain">Tivemos a tristeza de ver recentemente o Tsunami, causando uma grande destruição e vitimando um número inconcebível de pessoas em sete países da Ásia. Sabemos que esse tipo de facto é um acontecimento natural, porém havemos de analisar e acrescentar...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p><a href="http://www.lusomerlin.blogspot.com/"><em>Tivemos a tristeza de ver recentemente o Tsunami, causando uma grande destruição e vitimando um número inconcebível de pessoas em sete países da Ásia. Sabemos que esse tipo de facto é um acontecimento natural, porém havemos de analisar e acrescentar que a intensidade desse tsunami mostra-nos claramente que o desequilíbrio ambiental é, incontestavelmente, potencializador de forças naturais deste porte. Cabe a nós, definitivamente, uma reflexão séria sobre o assunto e buscarmos maneiras mais correctas de lidarmos com o espaço que vivemos, para que não sejamos nós os responsáveis por catástrofes desta natureza.</em></a></p>]]>
<![CDATA[<p>Nós blogueiros, propomos desde já, unirmo-nos em um alerta para a humanidade, e implantarmos cada um de nós, a nosso modo e em nosso ambiente, medidas práticas de mudanças!</p>

<p>É tempo de se falar abertamente. É tempo de se abordarem as questões em profundidade e não de forma restritiva. É tempo enfim, de se falar a sério sobre a questão ambiental e ecológica. Sobre a humanidade!</p>

<p>E com razão. É que cada vez mais se toma consciência de que o combate pela preservação, não tem fronteiras, não é regionalizável e de que a resposta ou é global ou não será resposta.</p>

<p>As chuvas ácidas, o efeito de estufa, a poluição dos rios e dos mares, a destruição das florestas, não têm azimute nem pátria, nem região. Ou se combatem a nível global ou ninguém se exime dos seus efeitos.</p>

<p>As pessoas ainda respiram. Mas por quanto tempo?</p>

<p>Os desertos ainda deixam que reverdejem alguns espaços estuantes de vida. Mas vão avançando sempre.</p>

<p>Ainda há manchas florestais não decepadas nem ardidas. Mas é cada vez mais grave o deficit florestal.</p>

<p>Ainda há saldos de crude por extrair, de urânio e cobre por desenterrar, de carvão e ferro para alimentar as grandes metalurgias do mundo. Mas à custa de sucessivas reduções de reservas naturais não renováveis.</p>

<p>Na sua singeleza, o caso é este:</p>

<p>Até agora temos assistido a um modelo de desenvolvimento que resolve as suas crises crescendo cada vez mais. Só que quanto mais se consome, mais apelo se faz à delapidação de recursos naturais finitos e não renováveis, o que vale por dizer que não é essa uma solução durável, mas ela mesma finita em si e no tempo que dura. Por outras palavras: é ela mesmo uma solução a prazo.</p>

<p>Significa isto que, ou arrepiamos caminho, ou a vida sobre a terra está condenada a durar apenas o que durar o consumo dos recursos naturais de que depende.</p>

<p>Não nos iludamos. A ciência não contém todas as respostas. Antes é portadora das mais dramáticas apreensões.</p>

<p>O que há de novo e preocupante nos dias de hoje, é um modelo de desenvolvimento meramente crescimentista &#8211; pior do que isso, cegamente crescimentista &#8211; que gasta o capital finito de preciosos recursos naturais não renováveis, que de relativamente escassos tendem a sê-lo absolutamente. E se podemos continuar a viver sem urânio, sem ferro, sem carvão e sem petróleo, não subsistiremos sem ar e sem água, para não ir além dos exemplos mais frisantes.</p>

<p>Daí a necessidade absoluta de uma resposta global. Tão só esta necessidade de globalização das respostas, dá-nos a real dimensão do problema e a medida das dificuldades das soluções. Lêem-se o Tratado de Roma, O Acto Único Europeu e mais recentemente as conclusões da Conferência de Quioto, do Rio de Janeiro e Joanesburgo, onde ficou bem patente a relutância dos países mais industrializados, particularmente dos Estados Unidos, em aceitar a redução do nível de emissões. Regista-se a falta de empenhamento ecológico e ambiental das comunidades internacionais e dos respectivos governos, que persistem nas teses neoliberais onde uma economia cega desumanizada e sem rosto acabará por nos conduzir para um beco sem saída.</p>

<p>Por outro lado todos temos sido incapazes de uma visão mais ampla e intemporal. Se houver ar puro até ao fim dos nossos dias, quem vier depois que se cuide!... e continuamos alegremente a esbanjar a água do cantil.</p>

<p>Será que o empresário que projectou a fábrica está psicológica ou culturalmente preparado para aceitar sem sofismas nem reservas as conclusões de uma avaliação séria do respectivo impacto ambiental?<br />
Mesmo sem sacrificar os padrões de crescimento perverso a que temos ligados os nossos hábitos, há medidas a tomar que não se tomam, como por exemplo:</p>

<p># Levar até ao limite do seu relativo potencial o uso da energia solar e da energia eólica.<br />
# Levar até ao limite a preferência da energia hidráulica sobre a energia térmica.<br />
# Regressar à preferência dos adubos orgânicos sobre os adubos químicos.<br />
# Corrigir o excessivo uso dos pesticidas.<br />
# Travar enquanto é tempo a fúria do descartável, da embalagem de plástico, dos artigos de intencional duração.<br />
# Regressar ao domínio do transporte ferroviário sobre o rodoviário.<br />
# Repensar a dimensão irracional do transporte urbano em geral e do automóvel em particular.<br />
# Repensar, aliás, a loucura em que se está tornando o próprio fenómeno do urbanismo.<br />
# Reformular a concepção das cidades e das orlas costeiras</p>

<p><br />
Dito de outro modo: a moda política tende a ser, um constante apelo às terapêuticas de crescimento pelo crescimento. È tarde demais para desconhecermos que, quando a produção cresce, as reservas naturais diminuem.</p>

<p>Há porém um fenómeno que nem sempre se associa ás preocupações da humanidade. Refiro-me à explosão demográfica.</p>

<p>Com mais ou menos rigor matemático, é sabido que a população cresce em progressão geométrica e os alimentos em progressão aritmética. Assim, em menos de meio século, a população do globo cresceu duas vezes e meia !...<br />
Nos últimos dez anos, crescemos mil milhões!... Sem grande esforço mental, compreendemos aonde nos levará esta situação.</p>

<p>Se é de um homem mais sensato e responsável que se precisa, um homem que olhe amorosamente para este belo planeta que recebeu em excelentes condições de conservação e está metodicamente destruindo; de um homem que jure a si mesmo em cadeia com os seus semelhantes, fazer o que for preciso para que o ar permaneça respirável, que a água seja instrumento de vida e dela portadora, e os equilíbrios naturais retomem o ciclo da auto sustentação, empenhemo-nos desde já nessa tarefa, com persistência e determinação.</p>

<p><br />
Se é a continuação da vida sobre a terra que está em causa, e em segunda linha a qualidade de vida, para quê perder mais tempo?...</p>

<p>Por isso apelamos a todos quantos se queiram associar a este movimento pela preservação Natureza, pela Paz e pelo desenvolvimento harmonioso da Humanidade, para subscreverem este Apelo.</p>

<p>Ao fazê-lo estamos a afirmar a nossa cidadania, enquanto pessoas livres, que olham com preocupação o futuro da Humanidade, o futuro dos nossos filhos!</p>

<p><a href="http://fraternidade2.blogspot.com/">Lista de Subscritores </a></p>]]>
</content>
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<title>Tango...</title>
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<modified>2005-01-14T23:25:21Z</modified>
<issued>2005-01-14T22:10:44Z</issued>
<id>tag:cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt,2005://279.60261</id>
<created>2005-01-14T22:10:44Z</created>
<summary type="text/plain"> by Emilio de Sousa Tão depressa corre como é lenta a melodia E o tom plangente do acordeon comanda os gestos dos nossos corpos unidos. Abraças-me de tal modo que o teu braço livre te envolve o pescoço Rodeando-o...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

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<![CDATA[<table border="0" cellpadding="3" cellspacing="1" width="100%">
<tr>
<td class="{switch}" width="50%" valign="top"><img src="http://lamechas.home.sapo.pt/Tango.JPG" width=250><br>by <a href="http://oferta.blogspot.com">Emilio de Sousa</a></td>
<td class="{switch}" width="50%" valign="top">
<p class="MsoNormal" align="justify">
Tão depressa corre como é lenta a melodia<br>
E o tom plangente do acordeon comanda os gestos dos nossos corpos unidos.<br>
Abraças-me de tal modo que o teu braço livre te envolve o pescoço<br>
Rodeando-o integralmente num amplexo de posse. Neste momento és só meu.<br>
A tua face, colada à minha, como que pretende penetrá-la para melhor me sentir.<br>
Por instantes quedamo-nos suspensos numa qualquer nota sustenida<br>
Para logo em seguida encetarmos uma quase marcha<br>
Que culmina numa imobilidade de estátua, efémera, mas viva.<br>
Rodopio agora para um e outro lado, sem nunca te largar<br>
Como num ritual, percorremos todas as direcções.<br>
O acorde final encontra-nos, reclinada eu, debruçado tu, olhos nos olhos,<br>
Num contacto intenso de posse mútua.....</p></td>
</tr>
</table>
<ul> <a href="http://www.mgrande.com/weblog/musicas/[+]adriana calcanhoto & rodrigo leao - pasion.mp3
"><img src="http://www.mgrande.com/weblog/images/luz.de.tecto/design/audio[branco].jpg" width="34" height="32" alt="Rodrigo Leão - Pasión" border="0" align=absbottom ></a></ul></p> A ouvir: Passión de Rodrigo Leão]]>

</content>
</entry>
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<title>Abraço [s]</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/arquivo/2005/01/abraco_s.html" />
<modified>2005-01-12T19:34:59Z</modified>
<issued>2005-01-12T19:11:56Z</issued>
<id>tag:cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt,2005://279.59902</id>
<created>2005-01-12T19:11:56Z</created>
<summary type="text/plain">Abraça-me nos braços E não queiras partir São tão longos os braços dos abraços E tão forte este desejo de fugir Fico assim oscilando indecisa Entre a explosão de nascer E o medo de existindo Me julgar partir ficando Pensando...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<center>Abraça-me nos braços<br> 
E não queiras partir<br>
São tão longos os braços dos abraços<br>
E tão forte este desejo de fugir<br>
Fico assim oscilando indecisa<br>
Entre a explosão de nascer<br>
E o medo de existindo<br>
Me julgar partir ficando<br>
Pensando ficar partindo<br>
Lágrimas que se calam chorando<br>
E depois se choram sorrindo<br>
<br>
Abraça-me nos braços <br>
E não queiras partir...</center>
<br>
<center><img src="http://www.simplesmentepoeta.hpg.ig.com.br/p_sensuais2/25-quero_seu_abraco_F.jpg"width="250"></center>
<br>
<center>Sim! Abraço-te...</center>
<br>
<center>Abro-te os braços para que encontres neles o carinho que buscas<br> 
Ofereço-te um sorriso para que esqueças as lágrimas<br> 
Beijo-te as feridas para que sintas alívio <br>
Sento-te no colo para que descanses <br>
Embalo-te para que adormeças<br>
Abraço-te... <br>
E os meus braços tornam-se longos para que a dádiva<br>
Que a ternura habita seja espuma no limite<br>
Além das ondas...</center>
<br>
<em>Este último abraço foi publicado no <a href="http://cumplicidadespartilhadas.blogspot.com">Cumplicidades</a> em 16/08/04.</em>]]>

</content>
</entry>
<entry>
<title>Da Espera...</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/arquivo/2005/01/quiseste_o_mar.html" />
<modified>2005-01-10T19:24:23Z</modified>
<issued>2005-01-10T19:04:09Z</issued>
<id>tag:cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt,2005://279.59483</id>
<created>2005-01-10T19:04:09Z</created>
<summary type="text/plain"> (...)Quiseste o mar só para ti. E a lua toda. E os teus olhos pérolas, onde já não havia espuma no escorrer das rochas. Perdi-me de silêncios. E a tuas mãos perceberam nada, do deslizar da morte no meu...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<center> (...)<br>Quiseste o mar só para ti.<br> 
E a lua toda. <br>
E os teus olhos pérolas, onde já não havia espuma no escorrer das rochas. <br>
Perdi-me de silêncios. <br>
E a tuas mãos perceberam nada, do deslizar da morte no meu corpo. <br> 
Recolhi as velas.<br> 
Apaguei na areia o oscilar das sombras da lua. <br>
Trazia espuma nos olhos. <br>
Pedi ao sol para não nascer. <br>
E voltei a sentar-me nas rochas à espera do mar...</center>
<br>

<p>Maria</p>

<center><img src="http://catedral.home.sapo.pt/cumplicidades/Rocks-at-sea.jpg"width="400"></center>
<br>
<center>Caminho pelo lado da rebentação das ondas &#8213;<br>
o litoral guarda segredo dos meus passos entre<br>
as redes de sal trazidas pelos barcos<br>
e o labirinto das algas ainda agora oferecidas<br>
 <br>
à praia. Sinto-me à mercê das falésias a riscar<br>
o teu nome na areia; e é como se lentamente<br>
pronunciasse um chamamento triste a que ninguém<br>
acode. Fez-se tarde para os lamentos das sereias:<br>
 <br>
agora as marés dobam novelos de espuma à roda<br>
dos meus pés, as águas já não transportam<br>
a minha voz, a perder-se sobre as dunas<br>
que os ventos vão desbastando devagar<br>
 <br>
ao cair da noite. Tenho sempre medo que não voltes.<br>
<br>
Maria Do Rosário Pedreira</center>

<p><br />
</p>]]>

</content>
</entry>
<entry>
<title>Quero..</title>
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<modified>2005-01-10T00:32:49Z</modified>
<issued>2005-01-10T00:07:58Z</issued>
<id>tag:cumplicidadespartilhadas.weblog.com.pt,2005://279.59333</id>
<created>2005-01-10T00:07:58Z</created>
<summary type="text/plain">Não, não quero voar contigo. As alturas nada me dizem... Não, não quero passear contigo na praia. O vento, o mar e a areia estão a mais... Quero... Simplesmente ter-te ao pé de mim. Onde te possa agarrar e muito...</summary>
<author>
<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
</author>

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<![CDATA[<p>Não, não quero voar contigo. <br />
As alturas nada me dizem...<br />
Não, não quero passear contigo na praia. <br />
O vento, o mar e a areia estão a mais...</p>

<p>Quero...</p>

<p>Simplesmente ter-te ao pé de mim.<br />
Onde te possa agarrar e muito naturalmente sentir a matéria que ocupa esse teu espaço<br />
Tão exclusivo e especial. <br />
Acredito que se nos apertarmos bem, <br />
Ficaremos suficientemente ligados para que se nivelem as felicidades respectivas<br />
Como líquido em vasos comunicantes.<br />
És também carne, ossos e pele que conformam uma cabeça, um tronco, membros. <br />
Acariciando todos eles o meu corpo conhece a alma que comanda o teu, e o teu, a minha.<br />
Isto feito, demos asas então a uma imaginação poética mais verdadeira <br />
Que se manifestará emocionalmente mais eloquente e duradoura,<br />
Pois o amor romântico acontece entre dois seres de corpo e espírito simultâneos...<br />
</p>]]>

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<title>A Ti....</title>
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<modified>2005-01-06T16:13:47Z</modified>
<issued>2005-01-06T16:09:48Z</issued>
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<summary type="text/plain">Lembro-me das nossas conversas. Lembro-me que te ouvia sempre com a mesma avidez, como quem bebe água para matar a sede. Nunca consegui saciar a sede das tuas palavras. Quanto mais te ouvia mais a minha sede aumentava... Escutava-te qual...</summary>
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<name>Maria Branco</name>

<email>branco_maria@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<p><em>Lembro-me das nossas conversas. </em></p>

<p>Lembro-me que te ouvia sempre com a mesma avidez, como quem bebe água para matar a sede. Nunca consegui saciar a sede das tuas palavras. Quanto mais te ouvia mais a minha sede aumentava...<br />
Escutava-te qual menina deleitada ouvindo histórias de encantar, histórias de príncipes e princesas, de castelos e finais felizes.<br />
Tinhas essa capacidade de me deslumbrar a cada palavra e o mundo parava quando te ouvia.<br />
Nada mais acontecia para além do espaço e do tempo em que a tua voz me falava. <br />
Lembro-a serena e suave enquanto me sussurravas histórias em que nós dois éramos as personagens principais, e em que prevíamos uma infinidade de ditosos epílogos.</p>

<p><em>Se tu soubesses as saudades que tenho dela, de todas as palavras e sorrisos que trocávamos, de todas as que ficaram por dizer.</em><br />
 <br />
Depois, existiam aquelas palavras pequeninas, que me enchiam completamente. Tão pequeninas, e tão cheias de significados que só nós conhecíamos, que só nós entendíamos. Ainda oiço a tua voz cálida a sussurrar-me ao ouvido cada uma como se fosse um beijo, um abraço de infinita ternura. </p>

<p><em>Se tu soubesses a sede que tenho dessas tuas palavras que eram apenas nossas.</em></p>

<p>E hoje, quando apenas oiço a tua voz no silêncio da tua ausência, sei o quanto ficou por dizer, uma vida por contar, a tua, a minha, a nossa. </p>

<p><em>Se tu soubesses a sede que tenho de todas as palavras que nunca dissemos.</em></p>

<p>E neste vazio ainda tão cheio de ti, dou por mim a dizer-te como se estivesses aqui ao meu lado, como se nunca tivesses ido embora e me pudesses ouvir :</p>

<p><em>&#8211; Meu querido irmão, apesar desta tão grande saudade da tua voz, não necessitamos gastar mais palavras pois hoje as nossas <br />
     conversas se fazem sem elas, como é mister da comunicação das almas...</em</p>]]>

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