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janeiro 23, 2005

Sol de ti.. [em mim]

Deixa que os meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus...

Olha por mim, proteje o meu sonho
Vigia o meu descanso e afasta-me de todas as mágoas
Com os teus beijos apaga as lágrimas que correm pelo
meu rosto
Envolve-me nos teus braços e,
cuida de mim
Preciso do teu apoio, do teu abraço,
do teu sentido
Deixa-me descansar e,
Adormecer no teu peito

Deixa que os meus olhos durmam
nos teus...

Deixa-me sonhar
Deixa que sonhe com a tua boca
Com as tuas mãos, com os teu beijos,
Com teu corpo na minha pele
Com o teu calor a queimar-me por dentro
Com tudo o que quero de ti

Deixa que os meus olhos despertem
com o sol a romper nos teus olhos...

Maria


Antecipação de TCA

Tu choravas e eu ia apagando
com os meus beijos os rastos das tuas lágrimas
– riscos na areia mole e quente do teu rosto.
Choravas como quem se procura.
E eu descobria mundos, inventava nomes,
enquanto ia espremendo com as mãos
o meu sangue todo no teu sangue.

Não sei se o mundo existia e nós existíamos realmente.
Sei que tudo estava suspenso,
esperando não sei que grave acontecimento,
e que milhares de insectos paravam e zumbiam nos
meus sentidos.
Só a minha boca era uma abelha inquieta
percorrendo e picando o teu corpo de beijos.

Depois só dei pela manhã,
a manhã atrevida
entrando devagar, muito devagar e acordando-me.
Desviei os meus olhos para ti :
ao longo do teu corpo morriam as estrelas.
A noite partira. E, lentamente,
o sol rompeu no céu da tua boca.

Albano Martins

Sobre o Autor:
Albano Martins nasceu em 1930 na aldeia do Telhado (Fundão). Licenciado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspecção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.


Publicado por Maria Branco às janeiro 23, 2005 12:00 AM

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Comentários

{ ...

gostar de ti

gostar de ti, é sentir algo…
é como correr num prado verde,
feliz caminhar sempre contigo no coração.
gostar de ti, é sentir a dor de amar-te,
é chorar pela saudade;
viajar só de mãos dadas.
gostar de ti, é amar-te como te amo.
© biquinha

beijos*

... }

Publicado por: o5elemento em janeiro 24, 2005 09:46 PM

...numa pequena peregrinação, aqui detive o meu passo para escutar os sentimento que as palavras procuram vestir...em partilha poética aqui deixo um abraço
Morfeu

Publicado por: morfeu em janeiro 24, 2005 03:12 PM

Maria, tu própria és um Poema!...
Obrigado por estes belos momentos.

Beijo grande

Publicado por: Frog em janeiro 24, 2005 03:02 PM

Amor e beleza, sempre de mãos dadas nos teus poemas, Maria.. sempre transmitindo o mesmo pedido, o mesmo grito latente em todos nós. Que prazer ler-te, amiga.
Beijos, e uma semana bonita para ti.

Publicado por: aguas de marco em janeiro 24, 2005 02:36 PM

Tudo o que escreves ou citas é inundado de bom gosto e qualidade.
Não conhecia o autor que hoje nos mostraste. Obrigado.
Beijos.

Publicado por: Nilson em janeiro 24, 2005 02:02 PM

Maria,

... de um sentir ... perfumado...

Boa semana beijinho grande

Publicado por: Sónia em janeiro 24, 2005 01:46 PM

Muito bonito, este jardim. Bem bonito. As palavras, bem semadas, não podem deixar de dar flôr e fruto no espírito de quem passa.

Publicado por: draw em janeiro 24, 2005 01:34 PM

Maria,
Uma combinação perfeita de palavras, pessoas e sentimentos!
Emocionas-me...
beijinhos carinhosos e uma excelente semana para ti...

Publicado por: lualil em janeiro 24, 2005 01:17 PM

Mimo é das coisas boas que nos podem dar, não é?
Felizes os que dele se podem fartar. Beijo grande.

Publicado por: Emilio de Sousa em janeiro 24, 2005 11:17 AM

Muito bonito.
:) Bjs.

Publicado por: náufrago em janeiro 24, 2005 11:13 AM

Dois poemas maravilhosos que se complementam.
Estou a começar a descobrir a beleza que a poesia encerra, em parte graças a ti Maria. Um bem haja, grande, para ti.
Beijinhos

Publicado por: Diálogos Interactivos em janeiro 24, 2005 11:06 AM

Que belíssimo poema nos trazes. Só de ti, com essa sensibilidade, ele nos poderia chegar.
Uma semana muito feliz, querida amiga.

Publicado por: pedra em janeiro 24, 2005 10:18 AM

com tanto desejo e ansejo se vê o sentimento que está em ti.
e se não se olhar ao sentimento vemos a bela escrita que fazes.
és uma escritora de beleza e de sentimento, pois até o sentimento mais triste consegues transformar em beleza

Publicado por: paulo povoa em janeiro 24, 2005 09:30 AM

Nunca pares de sonhar. Os teus sonhos dão felicidade aos momentos que passo a ler o teu blog.

Publicado por: Night Wolf em janeiro 24, 2005 01:31 AM

cmo eu adoro ler te
um beijo e um abraço enorme Rose**

Publicado por: Black Rose em janeiro 23, 2005 11:02 PM

Olá Maria Branco
Há uma edição da Campo das Letras sobre toda a poesia de Albano Martins que se chama «ASSIM SÃO AS ALGAS POESIA 1950-2000» Imperdível! Conheces?
Na pag.402 está está este poema extraordinário:
«FRUTOS»: «Quando a amada oferece/o seu corpo, ela sabe/que dos frutos apenas/se colhe o sabor./É então/que os dedos/separam as películas,/ que a lâmina desce e a água/ e o fogo se misturam./E é então que a vida/ e a morte convivem/ sob o mesmo tecto.»
Quanto ao conteudo da edição do teu post está muito bom.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em janeiro 23, 2005 10:44 PM


Se eu fosse um dia o teu olhar, leva-te comigo a Sonhar!

Beijocas,

Publicado por: Fernando em janeiro 23, 2005 10:44 PM

Boa semana .. tenho andado arredia por complicações lá pela minha "casa" que me tem andado a fazer umas partidas e me obrigou a começar a onfiguração do zero... mais uma vez!!:/Obrigada pelas visitas e comentários deixados!:)**

Publicado por: M.P. em janeiro 23, 2005 10:37 PM

Um sol caloroso para a semana que começa, Maria.
Beijos.

Publicado por: cap em janeiro 23, 2005 10:27 PM

Deixa-me...dexa...deixa-me...deixa...
A tua poesia, Maria, é sempre uma poesia que se sente intensamente.
Gostei do complemento do Albano Martins, e os traços do TCA são sempre uma mais valia.
Beijo, Maria, que a tua semana seja muito feliz :-)

Publicado por: yardbird em janeiro 23, 2005 09:06 PM

Eu quero o amor trivial dos namorados
Liberto ou não, secreto, proibido,
Talvez proscrito ou amaldiçoado
Pelas forças que regem, ou que oprimem
As travessuras líricas do homem.

Eu quero amar, como a palavra indica,
Com a mais completa naturalidade.
Eu quero, enfim, viver, inteiramente,
Aquilo que o amor significa.

(Estes versos de Luis Bello, de que tanto gostas, bem podem ser rematados pelas tuas próprias palavras)

Deixa que os meus olhos despertem
com o sol a romper nos teus olhos...

Obrigado, linda!
Sem ti e as tuas palavras, a semana de todos quantos te leem seria extenuante e monótona.
Que todos nós te possamos retribuir um pouco do que nos ofereces com tanto amor.
Boa semana, Maria!

Publicado por: Cacusso em janeiro 23, 2005 07:13 PM

Eu podia ter escrito algo semelhante, sem tanta qualidade, mas algo tão sentido de um amor cheio de medo de existir.
As tuas palavras são espelhos de alma!
Lindo...Jinhos muito grandes.
(Já tava com saudades disto)

Publicado por: Blue em janeiro 23, 2005 05:48 PM

De cortar a respiração :) Muito belo!

Beijo,

http://poesiaempedacos.blogspot.com

Publicado por: Cacau em janeiro 23, 2005 05:24 PM

As minhas palavras tirariam a beleza a este momento... Divino! Jinhos! E bom domingo :-)))

Publicado por: menina_marota em janeiro 23, 2005 12:41 PM

Belíssimo, Maria! Que feliz conjugação das tuas palavras, das de Albano Martins e dos fantásticos riscos do TCA! Um desejo que sempre temos, esse de que quem amamos vele por nós. Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 23, 2005 12:19 PM

muito bonito Maria, lindo...
deixa tu também que fechem os teus olhos para poderes acordar e dormir e confiar em quem tu amas. beijos amiga

Publicado por: Luna em janeiro 23, 2005 11:17 AM

Estou a falar contigo enquanto leio este post e já não tem conta as vezes que o li e reli e de tão siderada faltam-me as palavras à altura para o comentar.
Que se pode dizer diante de tanta ternura e de tanta beleza? O que me ocorre assim de rompante é que de cada vez que o li serenei e deliciei-me com a imaginação a que o mesmo me levou.
Obrigada Maria, por este momento.
Um beijo enorme

Publicado por: Mar Revolto em janeiro 23, 2005 02:52 AM

entre o olhar, o sono, o sonho, o toque. um, aliás, dois poemas lindissimos. uma noite, como uma eternidade. uma intimidade, como um sonho. um desejo, como um pedido. "deixa que eu exista, por momentos, em ti.", como se duas pessoas fossem apenas uma, "espremendo com as mãos / o meu sangue todo no teu sangue". é mesmo um post lindissimo. um beijo.

Publicado por: Luís em janeiro 23, 2005 02:09 AM

Tão bonito, Maria, o Sol rompe do teu poema e tem o poente no Poema do Albano Martins.

Um beijo grande

Publicado por: Pedro Emanuel em janeiro 23, 2005 12:22 AM

"Deixa que os meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus..." esta frase inicial, belissima, foi o início de um dos poemas mais bonitos que escreveste. Para o meu gosto, claro :) a escolha do poema de Albano Martins, que desconhecia, revelou-se acertadissima e complementa perfeitamente o teu. Dos riscos do tca... nem vale a pena falar, são sempre lindissimos. Resumindo, um dos teus melhores posts :) beijos muitos, amiga.

Publicado por: ognid em janeiro 23, 2005 12:17 AM