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janeiro 16, 2005
África no corpo e na alma...
desse mistério profundo...
Saudade de duas raças
que se abraçaram no mundo!

Deixa que os outros cantem o teu corpo
que dizem feiticeiro e sedutor,
e, na volupia vã do pitoresco,
entoem madrigais á tua dor.
nos passos de massemba e quilapanga,
e teus olhos onde há noites de luar,
e teus beiços que teem sabor de manga.
como aspectos formais da tua graça,
nessa conquista facil do exotismo
que dizem descobrir na nossa raça.
na captaçãoo atonita do viço
e fiquem sempre, toda a vida, a olhar
um muro de mistério e de feitiço...
- que eu canto do mais fundo do teu ser,
ó minha amada, eu canto a propria África,
que se fez carne e alma em ti, mulher!
porque o som do batuque por ti chama,
teu corpo negro é chama que me inflama,
quando surges na noite, quando danças...
e os desesperos todos de quem ama,
teu corpo negro é fogo que derrama
febre nas almas que repousam mansas.
e vens cantando (tudo em mim já grita),
quando surges em noite de queimada...
num batuque só nosso, num compasso
mais febril do que toda a batucada!
duma forma completa e envolvente.
Negra, tão negramente bela e moça,
todo o teu ser me exprime a terra nossa,
em nós presente.
madrugadas e noites e poentes tropicais,
- visão que me inebria como um ópio,
em magia de místicos duendes,
e me torna encantado. (Perguntaram-me: onde vais?
E não sei onde vou, só sei que tu me prendes...)
a música dolente dos quissanges tangidos
em noite escura e calma,
que vibra nos meus sentidos
e ressoa no fundo da minh'alma.
o gosto do caju, da manga e da goiaba,
- sabor que vai da boca até às vísceras
e nunca mais acaba...
com teu andar dengoso, parece que se agita
tal como se estivesse a requebrar-se
nos ritmos da massemba e da rebita.
E sinto que teu corpo, em lírico alvoroço,
me desperta e me convida
para um batuque só nosso,
batuque da nossa vida.
por toda a parte onde o teu vulto fôr),
eu te descubro e elejo entre as mulheres,
ó minha negra belamente preta,
ó minha irmã na cor,
e, de braços abertos para o total amplexo,
sem sombra de complexo,
eu grito do mais fundo da minh'alma de poeta:
- Meu amor! Meu amor!
Cacusso meu amigo, também, para ti...
Publicado por Maria Branco às janeiro 16, 2005 07:19 PM
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Comentários
adorei este teu post... é o meu sangue africano a correr dentro de mim.
um grande beijo maria *
Publicado por: mário em janeiro 18, 2005 02:38 PM
Que belos poemas sobre a mulher/África e que fotografia bonita. O sortilégio reencontrado com essa Angola que tenho no coração. Obrigado por teres feito sentir tão bem.
Publicado por: pedra em janeiro 18, 2005 12:51 PM
:)
Lindo.
Obrigada.
Não conhecia.
Publicado por: náufrago em janeiro 18, 2005 10:53 AM
Excelente o poema de Geraldo poeta de Angola de África... posso até ouvir a musicalidade! Beijos grandes Maria
Publicado por: In loko em janeiro 18, 2005 05:42 AM
Junto a minha voz à qualidade poética destes lindos poemas de África. Passando para a política penso que Portugal, os Portugueses, devem virar-se mais para os países de expressão oficial portuguesa porque é lá que está a verdadeira saída para a crise, sem complexos de superioridade ou de inferioridade. Eu como nunca fui racista, nem serei, gosto muito da poesia africana, dos contos dos escritores africanos, dos usos e costumes, do povo e de “moamba de galinha” Sejamos todos felizes
Beijos do Rogério Simões
Publicado por: Rogério Simões em janeiro 18, 2005 01:37 AM
Obrigado por relembrares.
Um beijo.
Publicado por: antonio san em janeiro 18, 2005 12:12 AM
tb não conhecia...mas Africa me encanta...a fotografia é magnifica. beijos Mariola
Publicado por: Luna em janeiro 17, 2005 11:00 PM
ler-te aqui é o recomeçar da tua escrita?!
:)*
Publicado por: AmigaTeatro em janeiro 17, 2005 10:56 PM
Também não conhecia e agradeço-te, Maria, esta oportunidade de ler um poeta africano que muito me agradou. Beijinhos para ti.
Publicado por: lique em janeiro 17, 2005 09:37 PM
:-)*** (do Frei)
... e a garagem tem dois pisos!!!
Publicado por: Carlos Gil em janeiro 17, 2005 08:59 PM
Olá Maria! O tempo tem sido muito escasso e tenho andado com pouco tempo para o Desfolhada. Mas não deixei de receber as tuas mensagens bonitas. Surpreendida por encontrar-te num novo espaço! Ano Novo, Vida Nova, não é? Ainda bem! Que 2005 seja um ano insequecível para ti apenas por boas razões :) A qualidade do teu trabalho continua. Espero ter mais tempo para voltar aqui. Um grande beijinho, Betty
Publicado por: Betty em janeiro 17, 2005 05:37 PM
Que encanto tua poesia..
Que maravilha tuas palavras...
Te adoro Maria, és divina!
bjos grande e obrigada por todo carinho que vc me dá, por todas as conversas... Vc é muito especial tudo que vc me diz é importante p mim...
Abraços querida!
Publicado por: Vívian Oliveira em janeiro 17, 2005 03:52 PM
Bonito texto,as raças têm q se respeitar, pois todos somos iguais na alma. beijokas grandes.
Publicado por: andrye em janeiro 17, 2005 03:18 PM
Não conhecia nenhum dos autores e fiquei fascinada...Obrigada Maria pela oportunidade dada.
Desejos de uma óptima semana!
Beijo gordo
Publicado por: Mar Revolto em janeiro 17, 2005 02:55 PM
Minha querida Maria, palavras lindas....
beijos
Publicado por: Contador de Histórias em janeiro 17, 2005 02:01 PM
Belissimos poemas que escolheste!
Além deste sorriso terno e doce há ainda muito para descobrir nos rostos africanos cansados de sofrer!...
Um beijo grande
Publicado por: Frog em janeiro 17, 2005 01:47 PM
Lindíssimas poesias, Maria. Beijinho.
Publicado por: Emilio de Sousa em janeiro 17, 2005 11:08 AM
"Quando a manhã vier
com um sol maduro
ofertando beijos
aos órfaos da ternura
quando a manhã vier
em apoteose de luz
a semear no vento
risos de alegria
quando a manhã vier
definitivamente
em alvorecer roseo
de paz e tranquilidade
de mãos nas mãos
saberemos chegado o nosso dia."
Poema de Jofre Rocha (Cachimane, Angola, 1941-)
Um bom dia para ti, com esta poesia que me recorda o Sol de África... e que saudades... Bjs e :-)
Publicado por: menina_marota em janeiro 17, 2005 10:20 AM
Muito bom.
Não sabes, mas sou Angolano!
Gostei muito de encontrar aqui esta tua referência!
Um beijo enorme.
Publicado por: Sandro em janeiro 17, 2005 01:58 AM
Olá, virei a esquina e esbarrei na tua página, digo-te que gostei, esse autor não conheço... Mas fiquei encantado por conhecer, Obrigado. :o)
Publicado por: ecawireless em janeiro 17, 2005 01:34 AM
nao conhecia..:)
mas adorei ler
um beijo e uma excelente semana
Rose***
Publicado por: Black Rose em janeiro 17, 2005 01:26 AM
Conheço pouco ou nada de poesia africana mas o que aqui publicaste encantou-me. Prometo ir conhecê-la melhor :) beijos, amiga.
Publicado por: ognid em janeiro 17, 2005 01:05 AM
Ler estes poemas é como regrassar ao berço de onde viemos.
Um beijo grande
Publicado por: Pedro Emanuel em janeiro 16, 2005 11:31 PM
Uma das minhas tristezas é não conhecer África. Bem, conheço alguma coisa do norte de África. Mas a parte que me fascina fica a sul do Sahara e, essa, só conheço mesmo pelas palavras dos outros. Obrigada por mais estas que me deste.
Beijinho
Publicado por: Hipatia em janeiro 16, 2005 10:39 PM
Uma honra imensa a tua dedicatória ao modesto «gerente» desta Kitanda.
Mais que eu, valem sempre as tuas palavras e as de todos quantos podem ombrear contigo como, sem dúvida, Geraldo Bessa Victor.
Obrigado, Maria!
Publicado por: Cacusso em janeiro 16, 2005 10:15 PM
Também eu não conhecia nenhum dos dois. Obrigada pelos poemas, que deixam no ar uma beleza quente e sensual, muito "Africa", como já foi referido.
Um beijinho de boa semana, Maria.
Publicado por: aguas de marco em janeiro 16, 2005 10:13 PM
Olá Maria Branco
Não conheço este autor angolano como, serei sincero, não conheço a poesia angolana.
Estes poemas são lindíssimos!
Pressente-se o entusiasmo pela ´difícil contenção em editar um apenas. Foste incapaz. É nítido!
Fizeste bem. Uma excelente escolha.
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em janeiro 16, 2005 09:39 PM
Confessando a minha ignorância, não conhecia. Só que são poemas belos, muito "África" e que se complementam. Beijos:)*****
Publicado por: wind em janeiro 16, 2005 09:03 PM
Sem palavras...é nessas alturas que eu digo somos todos da mesma cor...e eu sinto estas palavras como se fossem minhas...porque as negras deste mundo têm um sorriso da cor do meu!
Jinhos...grandes linda!
Publicado por: Blue em janeiro 16, 2005 08:56 PM
Não conhecia. Muito bonito.
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado em janeiro 16, 2005 08:38 PM