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janeiro 06, 2005
A Ti....
Lembro-me das nossas conversas.
Lembro-me que te ouvia sempre com a mesma avidez, como quem bebe água para matar a sede. Nunca consegui saciar a sede das tuas palavras. Quanto mais te ouvia mais a minha sede aumentava...
Escutava-te qual menina deleitada ouvindo histórias de encantar, histórias de príncipes e princesas, de castelos e finais felizes.
Tinhas essa capacidade de me deslumbrar a cada palavra e o mundo parava quando te ouvia.
Nada mais acontecia para além do espaço e do tempo em que a tua voz me falava.
Lembro-a serena e suave enquanto me sussurravas histórias em que nós dois éramos as personagens principais, e em que prevíamos uma infinidade de ditosos epílogos.
Se tu soubesses as saudades que tenho dela, de todas as palavras e sorrisos que trocávamos, de todas as que ficaram por dizer.
Depois, existiam aquelas palavras pequeninas, que me enchiam completamente. Tão pequeninas, e tão cheias de significados que só nós conhecíamos, que só nós entendíamos. Ainda oiço a tua voz cálida a sussurrar-me ao ouvido cada uma como se fosse um beijo, um abraço de infinita ternura.
Se tu soubesses a sede que tenho dessas tuas palavras que eram apenas nossas.
E hoje, quando apenas oiço a tua voz no silêncio da tua ausência, sei o quanto ficou por dizer, uma vida por contar, a tua, a minha, a nossa.
Se tu soubesses a sede que tenho de todas as palavras que nunca dissemos.
E neste vazio ainda tão cheio de ti, dou por mim a dizer-te como se estivesses aqui ao meu lado, como se nunca tivesses ido embora e me pudesses ouvir :
– Meu querido irmão, apesar desta tão grande saudade da tua voz, não necessitamos gastar mais palavras pois hoje as nossas
conversas se fazem sem elas, como é mister da comunicação das almas...
Publicado por Maria Branco às janeiro 6, 2005 04:09 PM
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Comentários
O tempo é como um vento fraco que vai levando a areia suja que esconde a beleza do relacionamento humano. Vai lentamente descobrindo a saudade.
Publicado por: Luís em janeiro 10, 2005 12:30 AM
Então linda não vias nada no espelho...rcc. Melhor assim, não fosse o senhor ficar envergonhado.
Mordidelas doces.
Publicado por: Night Wolf em janeiro 9, 2005 09:33 PM
minha querida maria, andava a deambular pelos blogs nesta solarenga tarde de domingo que me fez ficar de cama a tentar curar a minha rinofaringite com que comecei este ano, e... disse para mim vou até ao cumplicidades, vou ler um pouco da maria, acho que estava a precisar das tuas palavras e... fiquei feliz de te saber de volta. sabes acho q sempre q precisamos de ouvir alguém que nos é querido conseguimos sempre escutá-lo dentro do nosso coração.
deixo-te 1 beijo enorme no coração e desejo-te que todos os teus sonhos se realizem este ano.
Publicado por: g. em janeiro 9, 2005 07:36 PM
O amor, vivesse com a alma, não com o corpo. As almas encontram-se, na terra, ou não. Mas, afinal, também as nossas almas, se encontraram aqui. além de umas existem as outras. a nossa perfeição, está talvez em juntá-las.
Sabes no que e como acredito, no que partilhas aqui.
Beijo minha querida é bom ler-te. Mas, o fantástico mesmo é conhecer-te. è que as nossas almas se partilhem e evoluam aqui. Mais beijos
Publicado por: Partilhas em janeiro 9, 2005 06:38 PM
Maria... transcendentalmente belo
Um beijo de quem conhece bem esse sentimento.
Publicado por: antonio san em janeiro 9, 2005 12:54 AM
Maria, Maria... teu texto é de entrega, de dádiva. Nenhum irmão fica (ficaria, ficará...) indiferente a este teu "A Ti". É de uma enorme sensibilidade!Beijo enorme.
Publicado por: LiaCostaCarvalho em janeiro 8, 2005 04:32 PM
Minha queria maria, não usarei quaisquer palavras.Apenas um forte abraço e um beijo
Publicado por: Contador de Histórias em janeiro 7, 2005 11:26 PM
O encantamento está de volta...
Xicuembo como se diz na terra que tanto te encanta.
Obrigado, Maria!
Beijo
Publicado por: Cacusso em janeiro 7, 2005 10:11 PM
Amiga....sem palavras...Um beijo
Publicado por: Luna em janeiro 7, 2005 08:16 PM
Maria
:( , :) preto bramco ...
Muitos Beijos
Publicado por: Lmatta em janeiro 7, 2005 07:00 PM
Oi Maria, este é um amor transcendente. É muito bom qdo chegamos nesse estágio, quando compreendemos que o amor é infinito e o sentir é maravilhoso. Sentimos sem tocar e sem ver, daí em diante, a comunicação é feita de outra forma, não mais precisamos de palavras.
Hoje aqui foi só emoção e eu estou muito sensibizada, pq tenho uma pessoa querida que perdeu um filho. Isso trás sofrimento para qualquer um. É difícil aceitar certas coisas pq não compreendemos o porquê, mas deve existir um para quê..Um beijo doce querida e obrigada pelo carinho de sempre.
Publicado por: anne em janeiro 7, 2005 06:53 PM
Maria, este teu comovente texto foi a mais bela comprovacão de que o amor verdadeiro não morre, não empalidece, não magoa e nunca mais nos abandona, mesmo quando um de nós falta. Beleza repassada de tristeza, este texto maravilhoso.. sê feliz, Maria!
Um beijo com muito carinho.
Publicado por: aguas de marco em janeiro 7, 2005 06:09 PM
lindo.
triste? sim. mas lindo, muito lindo.
sua escrita é tão bonita em prosa quanto em versos.
beijos.
Publicado por: filho em janeiro 7, 2005 06:09 PM
Olá Maria ainda bem que resolvestes continuar a postar, bonitas esta tuas palavras, tal como tu beijocas
Publicado por: L.M em janeiro 7, 2005 05:38 PM
A tua enorme sensibilidade brinda-nos com textos belíssimos como este que só no fim se entende tratar-se de um amor espiritual muito forte. Mais uma vez, obrigado pelas tuas belas palavras.
Publicado por: pedra em janeiro 7, 2005 04:38 PM
Cumplicidades... Lindissimo!
Publicado por: nobody em janeiro 7, 2005 04:33 PM
Amiga...não pensei que tão cedo voltasse a ler algo escrito por ti, mas olha para completar meu espanto vejo que estás de novo por cá e é tão bom saber-te novamente por cá, e isto tudo para completar a minha felicidade deste ano novo k começou muito bem...
Eu também estou de volta das minhas ferias...visita-me no outro blog, espero que gostes do blog...beiijinhos muito grandes e que bom que estas de volta....Senti a tua falta!
Publicado por: sandra em janeiro 7, 2005 03:39 PM
Amiga...não pensei que tão cedo voltasse a ler algo escrito por ti, mas olha para completar meu espanto vejo que estás de novo por cá e é tão bom saber-te novamente por cá, e isto tudo para completar a minha felicidade deste ano novo k começou muito bem...
Eu também estou de volta das minhas ferias...visita-me no outro blog, espero que gostes do blog...beiijinhos muito grandes e que bom que estas de volta....Senti a tua falata!
Publicado por: sandra em janeiro 7, 2005 03:38 PM
Como eu penso entender bem o queescreveste, menina!
:)
Beijos.
Paz.
Publicado por: náufrago em janeiro 7, 2005 03:09 PM
obrigada Maria.
aqui neste espaço até a neve respira.
bom fim de semana,
bjs.
Publicado por: maat7 em janeiro 7, 2005 02:39 PM
Maria Branco,
Gostei imenso deste teu texto, o que aliás tem acontecido sempre que te leio.
Tens uma capacidade incrível para exprimires sentimentos e outros aspectos, com uma doçura pouco usual, que a leitura é fácil e apetecível como em poucos lados se vê.
Beijo grande.
Publicado por: Nilson em janeiro 7, 2005 02:28 PM
Maria... =/
Nunca sei o que te dizer. O que escreves... o que sentes... Enfim. Estou aqui Maria.
Um beijo... Miriam*
Publicado por: Litostive em janeiro 7, 2005 02:05 PM
Um beijo lanço te
é com mt carinho que te leio
Um ótpimo fim de semana
Rose**
Publicado por: Black Rose em janeiro 7, 2005 01:58 PM
Anybody have any suggestions on good translation service? Maria, are you portugese or is it a different type of portugese? What is your language officially called?
Anyway, it was great for what I could read...TTFN
Publicado por: justanothernickname em janeiro 7, 2005 01:42 PM
{ ...
já te tinha escrito [noutro [em outro] sentido] mas aqui deixo o mesmo [e que deste [dele] o faças querido] … estas tuas palavras [recordações] doem[-me] no peito … e como elas me entranham [sinto] as faço minhas para que este [teu] sofrer seja partilhado [por ti aliviado] [dividido] a jeito []
[saudade que arde, reclama]
triste céu que cinza realça
presente luto prateado, pardo
avivar de luz e abraço, falta*
gris** no meu olhar que tarda
vem a luz, que arda, reclama
horizonte de meu olhar ama
© o5elemento
beijos*daquele*teu*amigo*de*sempre
... }
Publicado por: o5elemento em janeiro 7, 2005 01:11 PM
Obrigado pelo seu comentário. Era quase como um irmão. Compreendo e sinto profundamente também este seu maravilhoso texto.
Beijo grande, grande.
Publicado por: Emilio de Sousa em janeiro 7, 2005 01:09 PM
Adorei, embora quase me pusesses a chorar, Maria...
Publicado por: Luis em janeiro 7, 2005 12:42 PM
Pois é, linda, as memórias das palavras e dos momentos que passámos com aqueles que se foram, mas que nos fazem sempre falta, ficam connosco. E ajudam-nos, consolam-nos, amparam-nos. Acho que este é um post belo e mostra a consciência de que tu sabes que a melhor forma de o homenagear é seres tu e seres feliz. Um beijo, Maria.
Publicado por: lique em janeiro 7, 2005 11:28 AM
"Se pudesse andar uma ÚLTIMA vez mais de balancé contigo a empurrar-me ao meu lado, sentir a segurança do teu olhar em mim... e dos hinos da alegria desses tempos!... Oh! pudesse eu reescrever os passos do tempo outra vez!"... Gostei tanto, muito mesmo de ler esta mensagem que deixaste ao "AR" em homenagem ao mano, Maria.
Beijinho muito especial pra ti hoje!
Publicado por: In loko em janeiro 7, 2005 07:04 AM
:_)
Publicado por: cap em janeiro 7, 2005 02:28 AM
Hipatia, claro que não irei apagar, as palavras do Rogério são me tão importantes para que o faça. Este espaço está disponivel para ele( e para todos), e é com um imenso prazer que o recebo aqui. Este comentario em particular, e que me tocou profundamente é um grito, ao qual junto o meu, infelizmente vivemos na injustiça. Mas calar sera a ultima coisa que iremos fazer! Muitos beijos
Publicado por: Maria Branco em janeiro 6, 2005 10:16 PM
E agora diz-me lá: é ou não é tremenda a importância da memória na nossa reserva de afectos?
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em janeiro 6, 2005 10:12 PM
"Maria: - Deixa estar isto aqui hoje e depois apaga que está enorme."
Com as devidas desculpas ao Rogério, eu só queria pedir que não apagasses, Maria.
Publicado por: Hipatia em janeiro 6, 2005 10:07 PM
_MARIA*_SIMPLES NOME, BONITO NOME, GRANDE MULHER_!!!!!!!!!
AMIGUINHA*, li o seu texto (ou "oracao" (?)... nem sei!), com um "NO' na Garganrta" e, o coracao apertado:_TAO BELO E TAO TRISTE E... AO MESMO TEMPO, TAO CHEIO DE ESPERANCA!!!!!!!!!!
_Obrigada *MARIA*, por estar *AQUI*!E, grata por me levar AQUELE ABRACO la' ao meu cantito de palavras!_Curiosamente, tinha estado minutos antes, respondendo la' a sua outra mensagem!_Estive a responder a TODAS a SUA, DO ROGERIO, etc..._.
_DO ROGERIO*, deixo este DESTAQUE, do texto escrito a TINTA PROVENIENTE DA ALMA_:
"Todos o escutaram com atenção que merece este ilustre orador. Já no intervalo vieram a saber que o conferencista tinha um curso superior que não era equivalente a uma licenciatura. A partir daí não mais prestaram atenção ao que ele dizia...
Pois é! Esta é a nossa enorme diferença de mentalidade e assim não vamos a lado nenhum.."
DE FACTO AMIGO*, e' quase impensavel, que existam ainda "MENTES" tao pequeninas e insignificantes que pensam que so' um "CANUDO" da' ao SER HUMANO _DIGNO DESSE NOME_ reais CAPACIDADES!!!!!!
_QUAO IGNORANTES SAO OS QUE ASSIM PENSAM!_RESTA-NOS A FELICIDADE DE NEM TODOS OS *DOUTORADOS, LICENCIADOS*, etc... SEREM DESSE QUILATE, DESSE BARRO!_MUITOS (eu conheco bastantes)FAZEM *JUS* A LICENCIATURA OU DOUTORAMENTO, SENDO SIMPLES DE ATITUDE E CORACAO E GRANDIOSOS DE SABERES E ATITUDES!!!!!!!!!
_Dos outros, AMIGO ROGERIO, nao vale a pena gsastar tempo nem tinta (nem Emocoes) com eles!
GRANDE ABRACO PARA SI* E SUA BETE*!!!!!!!
_MARIA QUERIDA, GRANDE ABRACO PARA SI* E MUITOS BEIJINHOS E SAUDADES!!!!!!!!!!!!
Heloisa.
******************
Publicado por: Heloisa B.P. em janeiro 6, 2005 10:03 PM
Desculpa, mas não consigo hoje deixar-te mais nada do que Um Beijo. E outro ainda ao Rogério!
Publicado por: Mar Revolto em janeiro 6, 2005 09:56 PM
Como tu dizes, as conversas com alguém que temos no coração, fazem-se sem palavras. E, sendo assim, tu sabes bem quanto esse alguém deseja a tua felicidade!... Sê Feliz, Maria!...
Um beijo grande
Publicado por: Frog em janeiro 6, 2005 09:26 PM
Embrenhei-me nas tuas palavras e fui recordando outras que ouvi pela vida fora e outras ausentes que estiveram presentes em meu coração. Essas palavras que escreves, de saudade, são um sentimento universal, é a saudade a ausencia a partida.
Pena que assim seja...
Parabens pelo texto.....a música completa-a tocando a nossa sensibilidade.
Adorei
Publicado por: Alma de Poeta em janeiro 6, 2005 09:03 PM
O teu irmão estará sempre contigo e tu com ele, porque as almas se amam:) As vossas conversas são puras, porque só de alma. E chega, escreveste tudo...Beijos***
Publicado por: wind em janeiro 6, 2005 08:32 PM
Quando venho até aqui faltam-me quase sempre as palavras para comentar.
BJS
Publicado por: Diálogos Interáctivos em janeiro 6, 2005 08:27 PM
Querido amigo Rogério, o meu muito obrigada pela tua atenção, e por estas tuas palavras, cada uma delas revelam o Homem imenso que és. Admiro-te profundamente, e sei que nada te irá travar nessa tão dura batalha.. Sabes que podes contar comigo para tudo, estarei sempre aqui, para ti.. Muitos beijos
Publicado por: Maria Branco em janeiro 6, 2005 07:54 PM
Hoje não te consigo comentar...por n razões que nós duas sabemos.
Estou aqui sempre...
Beijo
Publicado por: Blue em janeiro 6, 2005 07:38 PM
Para todos nós! Para todos vós! Obrigado pela vossa solidariedade sem lamechas! Tenho andado a tremer um pouco mais mas vai passar!
Maria: - Deixa estar isto aqui hoje e depois apaga que está enorme. Devo isto ao teu imenso grupo de amigos que te visitam. Devo isto a ti que és de facto minha amiga! Esta foi a mensagem que deixei nos meus comentários para os teus amigos virtuais mas bem reais. Aí vai! (Desculpem mas não tive grande tempo para rever o grito e por isso já cresceu ao sabor da pena).
Há na vida momentos para tudo. Ao longo da nossa vida tivemos momentos “tábua rasa”, abrimos os olhos e começámos lentamente a descortinar umas formas, talvez o peito do nosso crescimento e juntamente com ele um sorriso - o canto da nossa mãe.
Depois, fomos olhando reparando sem ver os que estavam perto: algumas sombras mal definidas - a família – e, enquanto estávamos no berço, contemplávamos o que nos rodeava – as nossas mãos, os nossos pés, os cobertores, o compartimento do berço, as paredes, o tecto do quarto...e despertávamos desta aparente letargia nas vozes doces que, pouco a pouco, apreendemos a descortinar.
Foi aí que reparámos que se repetiam, muitas vezes, uns quantos vocábulos quando se aproximavam de nós. E, de tanto escutar palavras ditas com ternura, começámos a responder instintivamente ao chamamento.
Rogério é meu nome!
Tal como apreendi o meu nome, sem ter a consciência de que o estava a interiorizar, aprendi muita coisa nesses tempos em que os meninos tinham todo o tempo do mundo...
Nesse evo, os meus pais mesmo sem vagar - porque as suas vidas por vezes eram duras, tinham tempo para mim. E os avós, quem os tinha, ensinavam aos meninos os contos mágicos, inscritos no livro do pensamento, que lhes tinham sido transmitidos oralmente pelos seus antepassados.
Há sempre tempo para tudo, digo eu, e na luz irradiante da família aprendi a amar e a ser amado; aprendi a respeitar e a ser respeitado; aprendi a ser feliz e a fazer felizes os outros; apreendi a acatar e a escutar os mais velhos; aprendi a dar valor às pequenas coisas, e, como os meus pais davam tudo o que podiam aos seus parentes, aprendi a ser solidário.
Depois, ainda havia a minha madrinha.
Eu tive madrinha! Era a irmã mais velha de meu pai, a Nazaré, trabalhava nos Hospitais Civis de Lisboa, no Hospital de Arroios, e como ela descobri que haviam seres humanos doentes a sofrerem.
Mas, como era menino, corria pelos claustros do hospital e brincava com os meninos doentes às escondidas.
Foi aí que constatei que a minha madrinha era uma santa, pois consagrou toda a sua vida aos doentes.
Eu tive a felicidade de ter madrinha, e como madrinha substitui os pais, levava-me a visitar os acamados a quem emprestava o único rádio que tinha para lhes aliviar a dor. Era assim, dava-me rebuçados (ficava todo lambuzado), aturava-me enquanto meus pais iam trabalhar e ensinava-me que até a dor pode ser aliviada escutando um belo fado da Amália...
(Parte ll)
“R” mais “o” é RO; “g” mais “é” GÉ; “r” mais “i” é RI mais “o” com o faz ROGÉRIO, assim me ensinava a escrever o meu nome a Dona Susana, minha professora da “Escola Republicana de Fernão Botto Machado”.
Gosto do meu nome embora seja invulgar. Aprendi que dava jeito, pois, quando era chamado a exame -, éramos ordenados por ordem alfabética e tinha mais algum tempo para estudar. Mas, também, tinha os seus inconvenientes: estava sempre no fim da lista e nalgumas situações, de tanto esperar, desesperava e aproveitava para roer as unhas...
Há sempre tempo para tudo - digo eu.
Existiu um tempo para ser desejado sem dar por isso; um tempo para ser amado sem dar por isso e, quando dei por isso, reparei que tive e ainda tenho, felizmente, todo o amor e carinho dos meus pais que me receberam sempre com a mesma alegria com que o pai rico recebeu o filho pródigo (da parábola contada por um Homem a quem chamaram de Jesus).
Vou parar por aqui esta minha meditação. A minha ascendência é significativamente a razão da minha conduta, da minha decência, da minha consciência.
Tive e todos nós tivemos tempo para tudo.
Errei, levantei-me. Escutei sempre o coração, empenhei sempre a alma controlada pela minha consciência. Voltei a errar e voltei a erguer-me apreendendo sempre com os meus erros.
Reconheço os disparates que fiz e todos fazemos ao longo das nossas curtas vidas.
A minha glória está em reconhecer os meus defeitos, combater os meus erros, sublimando as minhas atitudes de comportamento que não se reviam ou revêem na herança do meu sangue ou na educação que recebi dos meus pais.
Em conclusão, ninguém irá impedir de tudo fazer para conhecer melhor o meu mal de Parkinson, com dignidade e sem lamechas. Ninguém me vai impedir de incentivar e de juntar a esta causa, como noutras, como é o caso da Epilepsia em homenagem ao duro combate que o meu filho travou ao longo de mais de 20 anos – o chamado “grande mal”.
Sou um humilde poeta! Nunca serei um homem pequeno...
Criei dois blogs sobre Parkinson com a minha mais pura e recta intenção – ajudar, ajudando-me, através da busca incessante das novidades sobre as descobertas científicas que dia-a-dia avançam.
Consegui colocar em contacto um grande cientista português com uma ilustre médica francesa, com pouco mais de 40 anos e já portadora desta doença, cujo trabalho vai dar certamente resultados bem reais..
Quando descortinar que não existe qualquer interesse apagarei de imediato os blogs de Parkinson e, como este meio é universal, viajarei através dos cabos coaxiais para o Brasil onde tenho sido bem recebido e desembarcarei de vez no http://maldeparkinson.blogspot.com Blog de mal de Parkinson.
Estou grato a todos aqueles que colaboram ou que querem colaborar colocando post no http://parkinson.blog.sapo.pt ou no http://blogparkinson.blogspot.com .Eu recorro aos textos dos nossos amigos do Brasil ou às notícias resumidas, indicando a fonte, enquanto restar saúde para o fazer. Deste modo passei a dispensar as fontes nacionais que não autorizam a edição de textos de interesse para os doentes, porquanto, existem outros que o fazem e até agradecem. Mais uma vez - isso pouco me interessa!
Eu admiro os homens grandes e este País só crescerá quando culturalmente se elevar e acabar de vez com as “doutorisses” baratas de pseudo intelectuais. É por isso que devemos arregaçar as mangas e sem vaidades como o fez o grande cientista português Tiago Fleming Outeiro quando me escreveu: deixe de me chamar por Dr.
Recordo-me, agora, de um caso interessante. Certo dia um amigo meu, muito conhecido, que tinha e tem um elevado conhecimento técnico na área da Contabilidade foi dar um curso de formação a Licenciados.
Todos o escutaram com atenção que merece este ilustre orador. Já no intervalo vieram a saber que o conferencista tinha um curso superior que não era equivalente a uma licenciatura. A partir daí não mais prestaram atenção ao que ele dizia...
Pois é! Esta é a nossa enorme diferença de mentalidade e assim não vamos a lado nenhum..
Deixem-me sonhar! Acredito que um qualquer milagre irá surgir e até fui a Balasar “meter uma cunha” à Beata Alexandrina que foi beatificada pela cura de uma doente portadora de Parkinson.
Vou terminar senão não paro de escrever e ainda para aqui começava a falar da crise política, do desemprego, da falta de esperança para o nosso povo, do maremoto, da guerra, da falta de saída para os jovens, da saúde ou na sua falta, da solidão, dos miseráveis silos onde se despejam os idosos, da justiça...de submarinos ou do desamor versus egoísmo.
Estou magoado. Não interessa a razão!
Quis Deus que ao fim de 3 anos, diagnóstico com o Mal de Parkinson ainda consiga dançar o tango – apenas sinto o meu lado esquerdo menos lesto e não consigo ajudar a minha grande mulher, a Bete ou bety, Elisabete, a dobrar correctamente os lençóis – mas ela compreende.
Deus é Grande!
Sejamos felizes se tempo houver,
Rogério Simões
Publicado por: Poemas de amor e dor em janeiro 6, 2005 07:35 PM
Contas bem, quase demasiado bem, esta saudade permanente que aflige todos quantos perderam alguém para onde já não são necessárias palavras.
(Contas a minha história, também)
Beijo grande.
Publicado por: Hipatia em janeiro 6, 2005 07:29 PM
A ausência física tende a apagar as memórias. Porém, as tuas estão bem guardadas no coração. Pois só assim consegues viver, recordar, sentir...
Beijos
Publicado por: Suplementador em janeiro 6, 2005 06:43 PM
li, com a emoção de quem fala por outra voz, e vê explicado por palavras aquilo que sente. também falo muitas vezes assim, por vezes regresso a certas palavras que não disse, mas sei que tudo o que era importante terei dito, ainda que por vezes em silêncio. sei que compreendeu.
o amor vive-se mesmo para além do espaço e do tempo, existe sempre, para sempre. um beijo.
Publicado por: Luís em janeiro 6, 2005 05:46 PM
Aqui estás tu no teu novo cantinho! Ontem não consegui deixar comentário. O texto anterior era belíssimo (tb fui espreitar o blog!), o teu também o é, como sempre!Serão precisas mais palavras? Um beijo muito grande.
Publicado por: MWoman em janeiro 6, 2005 05:43 PM
O coraçao que ama sinceramente nao necessita de palavras para fazer-se ouvir! Mente, Alma, Corpo, Coraçao, tudo fala, tudo vibra diante de um amor verdadeiro!
Beijos, querida Amiga! Muitos...
Publicado por: Carmem Lucia Vilanova em janeiro 6, 2005 05:42 PM
As palavras são ecos das Almas e as Almas nunca se separam quando se amam, e os susurros passam a ouvir-se no coração e o diálogo é eterno, como é a saudade que sentimos, e é através destes diálogos que descobrimos que vida tem muitas formas de se manifestar e esta é uma delas, que nos faz sentir tudo o que amammos vive em nós.
Um beijo grande grande
Publicado por: Pedro Emanuel em janeiro 6, 2005 04:58 PM
Ognid meu amigo, sim falo com ele, com e sem palavras.. Falo constantemente. Sei que me ouve, sei que está em mim, estas são algumas das muitas que lhe escrevo e sussurro.. O amor vive-se para além do espaço e do tempo, não é?
Vezes há em que o lembro com alguma tristeza, outras que a sua lembrança apenas me tras sorrisos.. sim, sei que não me quer triste. Ele conhece-me o suficiente para saber que são momentos passageiros... Obrigada pelas tuas palavras! Muitos beijos
Publicado por: Maria Branco em janeiro 6, 2005 04:39 PM
Leio(te) neste texto. Não sei se te disse... é belo. Não sei se é triste. Porque tens essa capacidade de falar com ele sem palavras. E ele contigo. Porque ele está contigo, ouve-te, ampara-te e, como irmão que te ama, quer-te feliz. Não pode(s) ser triste, portanto. Um beijo enorme, minha amiga.
Publicado por: ognid em janeiro 6, 2005 04:32 PM